Astronauta Mecanico

 

FLUXO

Videoinstalação imersiva e transmídia, realizada em duas salas de espelhos, onde a obra se desdobra em diferentes sistemas de transmissão, retroalimentação e reverberação.

Apresentada em 2021, na primeira exposição do país aberta ao público após o confinamento da COVID-19, a obra integrou a aMostraaMostra — Mostra de Arte Digital
(@mostra.amostra)

FLUXO zero é composta por 30 televisores de tubo retroalimentados por vozes, vídeo e sinais de transmissão. A instalação investiga a possibilidade de visualizar o fluxo — de dados, vozes, imagens e comunicação — transformando a circulação desses sinais em matéria visual e sonora.

A obra articula a voz off de Filipe dos Santos Barrocas às vozes dos povos Timbira — Apinayé, Krahô, Krikati, Gavião Pykobjê, Gavião Parkatejê, Canela Apanjekra, Canela Ramkokamekra, Krepynkatejê, Krênjê, Põncatejê, Mãkraré, Kẽnkatejê, Xàcamekra, Crôrekamekra, Carencatejê, Pihàcamekra, Pãrecamekra e Cykoyõre.

Em dias e horários variados, sinais privados de câmera e áudio eram transmitidos ao vivo diretamente de Lisboa e incorporados à instalação. As transmissões se sobrepunham às vozes e ao feedback produzido pelos próprios televisores, criando uma rede contínua de retroalimentação. Voz, imagem, ruído, transmissão e interferência se misturavam, fazendo da comunicação não apenas conteúdo, mas a própria matéria e o espaço da obra.

FLUXO um é uma instalação realizada em uma sala de espelhos. Um projetor lança um sinal de pattern sobre as superfícies espelhadas, transformando a própria sala em superfície de expansão e criando novas dimensões para a imagem.

No centro da instalação, um osciloscópio recebe, em tempo real, o sinal da voz do artista Bruno Balthazar, transmitida diretamente do Rio de Janeiro. Diariamente, o artista realiza a leitura de Grande Sertão: Veredas, cuja voz é simultaneamente convertida em imagem pelo osciloscópio e reproduzida no espaço por caixas de som.

A transmissão estabelece um fluxo entre distância e presença: a leitura realizada no Rio de Janeiro atravessa o sistema e se materializa no espaço expositivo como som, sinal e imagem. Entre os espelhos, o pattern e a voz transmitida, o espaço passa a operar como múltiplas dimensões de um mesmo fluxo, em constante reverberação.

Nesta exposição, também é lançada a primeira galeria pública de NFTs da Europa, com duas obras da artista integrando a sua coleção inaugural.

Registro em fotos e video: Maria Borges @mmaryborges

Teatro Municipal da Guarda
Guarda-Portugal, 2021